Brasília. A aprovação do acordo de céus abertos entre Brasil e Estados Unidos despertou o interesse de aéreas estrangeiras para a perspectiva de o Congresso também autorizar a entrada de até 100% de capital estrangeiro no setor. Na quinta-feira (8), executivos da europeia Norwegian trataram do tema com autoridades brasileiras e a britânica Virgin pediu audiência com o governo. Até empresas asiáticas já demonstraram interesse no mercado doméstico brasileiro.
Após sete anos de espera, o Senado finalmente aprovou o acordo. Com essa medida, o limite de participação de uma empresa internacional em companhia instalada no Brasil subiria de 20% para até 100%.
A novidade já movimenta grandes grupos globais. Na quinta, autoridades receberam executivos da Norwegian, empresa de baixo custo de origem norueguesa. Executivos da companhia demonstraram interesse na abertura do mercado doméstico e querem entender as perspectivas de aprovação da medida. Recentemente, a empresa abriu uma subsidiária na Argentina que planeja até 17 rotas para o Brasil a partir de Buenos Aires, Córdoba e Mendonza. A empresa também poderia voar ao Brasil a partir das bases na Europa.
Quem também procurou o governo brasileiro foi a britânica Virgin. Representantes da companhia estarão em Brasília em breve para tratar de possíveis operações no País. No início da década, o bilionário britânico Richard Branson, dono do grupo Virgin, chegou a afirmar que a companhia britânica Virgin Atlantic iniciaria voos entre a Europa e o Brasil, mas que a intenção também era abrir uma subsidiária brasileira para voos domésticos Os planos, porém, esbarraram na legislação e na crise econômica anos depois.
Recentemente, até executivos da Air Asia, empresa pioneira no segmento de baixo custo na Ásia, demonstraram interesse no mercado brasileiro, caso seja autorizada entrada de capital estrangeiro. O grupo malaio tem nove diferentes companhias aéreas que operam com a mesma marca em vários países.
Aumento na oferta
O governo brasileiro tem defendido fortemente a entrada de capital estrangeiro no mercado doméstico. O principal argumento é que a medida aumentaria a oferta e as operações de transporte aéreo, principalmente de empresas de baixo custo, com consequente redução dos preços.
A conversa com executivos da Norwegian reforçou esse argumento. A empresa de baixo custo tem uma das bases em Gatwick, segundo principal aeroporto de Londres. Lá, o início dos voos da empresa conseguiu reduzir o preço médio das tarifas de todo o aeroporto em cerca de 12%. |